À medida que as cidades se foram tornando mais inteligentes (Smart Cities), com a adoção de diferentes tecnologias com vista à melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes, também os destinos turísticos têm vindo a incorporar novas tecnologias para aprimorar a experiência de viagem e aumentar o seu nível de competitividade, originando o conceito de destinos turísticos inteligentes.

Um destino turístico inteligente é aquele que tem a capacidade de se moldar à procura turística, conseguindo “prever” as necessidades dos turistas e melhorando a sua experiência no destino. Importa aqui clarificar a diferenciação entre smart city e smart destination, na medida em que o último é impulsionado pelo setor do turismo (público e privado) e o seu foco é o turista e não o cidadão, como nas cidades inteligentes. Num destino inteligente, as fronteiras geográficas podem ou não coincidir com os limites de uma cidade e a interação do visitante com este começa inicia-se antes da viagem.

Os destinos inteligentes integram assim as tecnologias nos seus recursos turísticos e utilizam-nas enquanto plataformas de marketing. São exemplo de Smart Tourism Technologies (STTs) a IoT, cloud computing, NFC (near field communication), sensores, smartphones, dispositivos móveis conectados, beacons, realidade virtual (RV), realidade aumentada (RA), aplicações móveis, métodos de pagamento integrados e as redes sociais.

A introdução da tecnologia no setor iniciou-se com a era do eTourism (1900-2005) permitiu que as organizações desenvolvessem a sua presença na Web 1.0, com a criação de websites e o desenvolvimento do e-commerce, com a Google e a Yahoo a revolucionarem a pesquisa de informação online. Com a emergência de blogs e outras plataformas de redes sociais, surge a era Web 2.0 (2005-2015), revolucionando a forma de interação e comunicação entre os diversos intermediários do setor turístico. Sites como TripAdvisor e Yelp permitem o eWOM (Word-of-Mouth online), influenciando a reputação, a marca e o desempenho empresarial. 

Com a introdução da Web 3.0 ou a “semantic web” (2015-) surge também uma série de mudanças disruptivas. Os smartphones e os dispositivos móveis provocaram alterações profundas na forma como as pessoas comunicam e interagem entre si, mediando a experiência turística. O turismo inteligente usa a seu favor a interconectividade e interoperabilidade das tecnologias integradas, promovendo a ligação em rede e a coprodução de valor para todos os que se encontram interligados no ecossistema. A inteligência aumenta a inclusão e a acessibilidade para os viajantes, ao apoiar os turistas com mobilidade reduzida, deficiências visuais, auditivas e cognitivas.

A designada Ambient Intelligence (AmI) Tourism traz inteligência ao setor turístico, tornando os seus ambientes sensíveis, flexíveis e adaptáveis às necessidades de quem neles habita e de quem os visita, potenciando a cocriação de valor e as interações em tempo real. Na verdade, os destinos necessitam de recorrer a sistemas de informação e tecnologias modernas de forma serem diferenciadores num ambiente altamente competitivo e a satisfazerem as necessidades e preferências dos seus turistas, variáveis no tempo e no espaço.

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